Na Natureza Selvagem

Em um dos últimos dias de atividade dos Cinemas 1, 2 e 3, fui assistir ao último filme de Sean Pean na direção, na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007).

Pelo trailer, eu não esperava muita coisa desse filme, que o vendia como a história de um rebelde sem causa querendo se aventurar sozinho e sem dinheiro por bonitas paisagens dos Estados Unidos. Algumas críticas que eu li, de pessoas que parecem que só enxergaram o filme dessa forma, não me empolgaram muito, mas a opinião da Luzia Miranda Álvares apontando como um bom programa, e diante das poucas opções de cinema, me fez repensar.

O início do filme não mudou a impressão que eu tinha anteriormente, mas o desenrolar da história sim, pois esse é aquele tipo de filme que vai te conquistando aos poucos, e que ecoa na cabeça após o término da projeção. A história do jovem de 23 anos Christopher McCandless, recém-formado que abandona tudo para viajar pelos Estados Unidos no começo da década de 90, sem dar nenhuma notícia ou satisfação para sua família, vai ganhando um outro contorno e outros significados quando pontualmente nos é apresentado, em flashbacks e com a narração de sua irmã, o contexto familiar no qual os dois foram criados, mostrando os conflitos entre os pais e os filhos. Todos os acontecimentos mostrados no filme, todas as pessoas que Christopher conhece e o modo como se relaciona com elas têm um elo muito forte com o contexto familiar dele.

Os pais são interpretados por William Hurt e Márcia Gay Harden, que pouco aparecem mas trabalham muito bem, com destaque para Hurt, que protagoniza uma linda cena no final do filme, na rua, muito bem dirigida por Pean.

Destaque também Hemile Hirsch, que mostra competência ao interpretar o protagonista, que dispensou dublês e perdeu 18 kilos.

O final me tocou muito, principalmente quando lembrei que a história é real. Vale a pena.

Lembranças de Hollywood

Aluguei “Lembraças de Hollywood” (Postcards From the Edge, EUA, 1990) por causa da Meryl Streep, e pelo diretor, já que tinha há pouco visto Closer-Perto Demais, outro trabalho de Mike Nichols.

O filme é centrado na relação da personagem de Meryl Streep, atriz a qual é viciada em cocaína, e sua mãe, interpretada por Shirley MacLaine, uma ex-estrela de Hollywood, egocêntrica e que por sua filha ser viciada em uma droga ilícita, não admite que também é viciada, só que em álcool. Elas são obrigadas por um produtor de filmes a conviverem juntas, na mesma casa, o que as leva a se defrontarem com as pendências existentes entre elas.

O filme não vai para o lado do drama pesado, pelo contrário, trata esses assuntos de forma leve. A relação mãe-filha consegue ser interessante, até pelas atrizes, que estão ótimas. Mas quando o personagem de Dennis Quaid entra no filme, a história acaba se perdendo o pouco. Parece que dá pra sentir o que o diretor quis fazer, mas não saiu direito. Bom, dá pra divertir, e com qualidade.

Só para registrar: Meryl Streep é demais mesmo. Além da boa atuação, de toda a composição de sua personagem, insegura e inconseqüente, há a cena em que ela canta no aniversário de sua mãe, a qual ela não é dublada. A displicência com que ela canta, a música escolhida, criam um clima e formam uma linda cena. A mulher ainda canta bem, é mole?

O Labirinto do Fauno

      

        Grande surpresa foi ter visto ontem "O Labirinto do Fauno", filme mexicano o qual concorreu a seis Oscar no início do ano.

        Galera, vale a pena. Filme mistura fantasia realidade de um forma muito competente. Várias coisas no filme são muito boas: Fotografia, maquiagem, trilha, atuações. Mas o roteiro e a direção (com ângulos maravilhosos) do mexicano Guilherme Del Toro mostram maturidade ao criar e ao contar essa fábula para adultos. 

        O filme se passa em 1944, no final da Guerra Civil espanhola. Conta a história de uma menina, Ofélia, órfã de pai de viaja com a mãe para uma região da espanha onde mora o capitão o qual ela se casou, e que é palco de focos de resistência ao governo. Lá, em meio a gravidez de sua mãe e ao tenso clima político e social, Ofélia se encontra com seres mágicos, vindos do "mundo subterrâneo". Dois mundos que são conduzidos paralelamente no filme.

        Cheio de metáforas, com uma fotografia ganhadora do Oscar, o filme vai nos envolvendo cada vez mais. Os seres saídos da cabeça de Guilherme são fantásticos, e nos chama atenção o quanto Ofélia pode estar calma em frente aos maiores perigos do "mundoo subterrâneo", e o quanto ela teme apenas estar na presença do Capitão, seu padastro. Personagem, por sinal, que protagoniza cenas violentas, sem cortes.

        Estou esperando ter tempo para poder rever esse filme e curtí-lo mais ainda. Emocionante.

De Salto Alto

Uma das características de muitos filmes de Pedro Almodóvar é a sua capacidade de tratar temas pesados com leveza. Leia-se leveza, não superficialidade. Traumas, assassinatos, seqüestros e afins. Tudo fica até meio engraçado. No caso de “De Salto Alto” (Tacones Lejanos, 1991), muito engraçado.

Marisa Paredes e Victoria Abril, que trabalharam em vários filmes do diretor, interpretam mãe e filha, Becky e Rebecca. Becky é uma famosa cantora que deixou seu país e sua filha para cuidar de sua carreira. Após 15 anos ela volta e se reencontra com sua filha e com seu passado. Rebecca, apesar dos traumas de infância, parece não guardar mágoas de sua mãe e no momento está casada com um homem que foi a grande paixão de Becky.

O visual trash, colorido, cheio de azuis e vermelhos fortes ainda é marca nesse filme como em outros dessa fase. O exagero, as músicas dramáticas, mistério de assassinato, tudo é usado para explorar a relação mãe e filha, questão central do filme e tão importante no universo feminino, o qual é largamente explorado pelo cineasta em suas obras.

Personagens de Almodóvar nunca são maniqueístas, e são, quase sempre, traumatizadas. O exagero da imagem reflete o exagero de emoções vividas pelas personagens, o que é reflexo da própria vida do cineasta, que declara publicamente a profunda relação entre sua obra e sua vida pessoal. Sua mãe vestiu-se apenas de preto desde os três anos de idade, em virtude do falecimento de seu pai, até o nascimento de Pedro, e a partir daí, nunca mais usou cores escuras, só cores vivas.

Essa dubiedade de sentimentos está presente em Rebecca, em tudo que ela sente por sua mãe. Admiração, competição, mágoa, carência, saudade. Tudo ao mesmo tempo, e tudo exagerado, mas concomitantemente, engraçado. Quem lê sobre os elementos da história talvez não imagine a quantidade de risadas que dei ao assistir ao filme pela primeira vez, enquanto outras pessoas ao meu lado também riam e outras até choravam. Coisas de Almodóvar mesmo.

Um dos pontos marcantes de seus filmes, em especial nesse, é a resolução inverossímil. Os traumas e vicissitudes vividas pelos personagens podem ser comuns a muitos. Mas o cineasta sempre nos dá um tom de esperança, algo como “tudo pode ser resolvido”. Pena que na vida real geralmente seja muito diferente.

Doze Homens e Uma Sentença

“Doze Homens e Uma Sentença” (Twelve Angry Man, 1957) marca a estréia na direção de um muito bom, mas irregular, diretor: Sidney Lumet.

Os 95 minutos de filme se passam quase que inteiramente dentro de uma sala, onde doze jurados terão que decidir se um jovem acusado de matar o pai a facadas é culpado ou inocente.

Logo no começo do filme ouvimos do juiz que seja qual for o veredicto ele terá que ser unânime. No começo tudo parece fácil e óbvio: Não há dúvida de que o jovem é culpado, e assim a ele será aplicada a pena de morte. Contudo há um jurado entre os doze que não tem absoluta certeza da culpa do rapaz, apesar de não estar certo de sua inocência, é o jurado número oito, interpretado por Henry Fonda, que tem praticamente uma única expressão de coitado no decorrer de todo filme, mesmo assim  consegue a simpatia do espectador.

Com uma direção boa e segura, e com um excelente roteiro de Reginald Rose, o filme passa muito rápido. É impressionante a apresentação de cada um dos jurados e como conseguimos acompanhar o desenrolar psicológico de tantos personagens. Com personalidades diferentes, conseguimos ver o que pesa para cada um ao dar sua opinião: identificação com o réu, preconceitos e até pressa para poder ir a um jogo. É interessante também notar como a opinião e o julgamento de alguns também está ligado ao grupo em que se encontram.

Com sua estupenda análise do comportamento de grupo, o filme cresce a cada minuto até cenas fortes e muito bem dirigidas.

Apesar de não ter feito muito sucesso na sua época, “12 Homens e Uma Sentença” é hoje querido por muitos críticos, e certeza de bom filme e bom divertimento. Altamente recomendado.

O Pior do Teatro

Último domingo o coitado do meu pai perdeu dinheiro. Teria sido melhor ele fazer aviãozinho com notas de cinquenta para ver quem conseguia ir mais longe. Mas foi pior, comprou quatro ingressos para vermos a peça “Amo-Te”, que esteve em Belém último fim de semana, com Daniele Winits e Daniel Dantas. Definitivamente a pior peça que já vi na minha vida, e olha que não foram poucas. Barrou o Beijo da Mulher Aranha (que apesar de tudo tinha Cláudia Raia, com seu talento indiscutível).

História de dois personagens os quais namoraram e agora estão separados, e  que conversam e discutem sobre sua relação. Um argumento até legal, se não fosse a péssima realização. Eu já sabia que Daniel Dantas só tem um personagem, ele é sempre aquela mesma coisa em tudo o que ele faz, e aqui continua igual, mas pelo menos estudou alguma coisa de teatro, tem expressão corporal e uma voz boa. Já sua companheira de palco, coitada, além de limitadíssima como atriz, fala como se estivesse com um microfone em cima da cabeça, no Projac. Sua voz é péssima, muitas vezes incompreensível, e quando não, parece forçada e artificial.

Em relação ao texto, deu até para perceber o que ele quis ser, mas pelo menos para mim (sei que teve muita gente que achou isso o supra-sumo do legal, normal, cada qual com seu gosto), passou longe. Além da transferência negativa que desenvolvi com a personagem de Daniele. O texto, que tenta ser engraçado e reflexivo, é pobre, chulo, mal escrito, não tem comédia nem romance. Não sei o que tem na verdade, talvez só ruindade mesmo.

O pior da peça é quando os personagens relatam uma peça que querem escrever, que é o retrato de tudo que nos foi apresentado até agora, um casal separado conversa sobre a relação depois que a ex volta para pedir ajuda, pois apanhou do atual. (sim, além de tudo ela é mulher de malandro), e esse casal escreve uma peça sobre outro casal que também resolve escrever uma peça sobre um casal...  Se alguém quer usar a expressão “encher lingüiça” encontrou onde nelhor empregá-la.

Para finalizar, a cenografia é péssima. Toda a concepção de cenário, de movimentação de palco, de arrumação e deslocamento do cenário foi muito infeliz.

Resumidamente, uma grande porcaria, que foi além de uma perda de dinheiro, de tempo também.

 

Flores Partidas (Broken Flowers,2005) é uma ótima pedida de cinema em cartaz em Belém. Filme mais recente do cineasta Jim Jarmusch, recebeu grande prêmio do júri do último Festival de Cannes.

O cineasta mantém o estilo já usado em outros filmes do diretor, como Sobre Café e Cigarros, com o uso de esquetes, e muitos momentos non sense. Assim Jarmusch conta a história de Don Johnston, aposentado interpretado por Bill Murray que é a apatia em pessoa. Nada o empolga ou o emociona. Nem quando sua atual namorada o abandona. Ele na verdade faz muito sucesso com as mulheres, mas nunca se casou. É um solteiro convicto.

Até que um dia ele recebe uma carta rosa e anônima de uma antiga namorada de vinte anos atrás, contando que ele tem um filho que este está viajando a procura do pai.  Nem esse fato á capaz de realmente empolgá-lo, mas seu amigo e vizinho Winston (Jefrrey Wirght), que é amante de romances policias, entusiasma-se com o mistério e quase o obriga Don a fazer uma jornada em busca de suas antigas namoradas, a fim de encontrar seu filho. Julie Delpy, Sharon Stone, Frances Conroy, Jessica Lange e Tilda Switon as interpretam muito bem

Flores Partidas é um filme diferente, leve, com toques dramáticos, mas não deixa de arrancar alguns risos da platéia (a sessão que eu estava presente muitos riram). O encontro de Don com namoradas de duas décadas atrás e conseqüentemente com seu passado vai nos mostrando traços de sua personalidade e causa mudanças no personagem. Apesar das expressões sempre contidas, elas aos poucos vão surgindo no rosto de Don. Por sinal a atuação de Bill Murray é de extrema importância para que se construa o clima do filme.

O final, nada convencional, deixa-nos livres e duvidosos, mas com a certeza de que agora aquele homem tem um sentido na vida, e com uma vontade danada de acompanhar sua história mais um pouco.

Fama Para Todos

 Vou falar sobre o divertido e inteligente Fama Para Todos (Iedereen Beroemd!,2000). É um filme belga que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano de o Tigre e o Dragão, e geralmente está na prateleira Oscar das locadoras.

É o único filme belga que vi, mas a história é universal, atinge a todos os públicos.

Jean é um trabalha numa fábrica e seu maior sonho é que sua filha, Marva, se torne uma cantora famosa. Para isso, acompanha e incentiva a filha a participar de competições musicais, nas quais ela é constantemente ridicularizada pela sua falta de talento e de carisma.

Quando perde o emprego, Jean encontra por acaso em uma estrada a cantora de maior sucesso na Bélgica, Debbie, e com a ajuda de seu amigo, Willy (também despedido pela fábrica), decide botar em prática um plano para resolver seus problemas: seqüestrar a cantora e exigir que sua filha seja uma estrela.

A partir daí o filme engrena e mostra toda sua criatividade, indo por caminhos inesperados, e não temos mais dúvidas que o filme se trata de uma comédia, muito irônica e com conteúdo. Abaixo uma declaração do diretor e roteirista Dominique Deruddere:

"Quando eu era jovem, o showbizz era algo inacessível. Pior, era pecaminoso. Hoje, no ano 2000, a situação se transformou completamente. Os pais estão dispostos a tudo para ver seus filhos cantarem ou atuarem. As pessoas veneram a televisão. Fama e dinheiro são as principais preocupações. Meu filme trata dessas pessoas e da ambição cega que cultivam”.

Certamente o fez de forma muito competente e leve, equilibrando muito bem os elementos do filme. Recomendado.

Tudo Acontece em Elizabethtown

 

 

Fiquei pensando no que aconteceu com Cameron Crowe para fazer um filme como “Tudo Acontece em Elizabethtown” (Elizabethtown,EUA,2005), que nunca foi um grande diretor, mas fez coisas divertidas como A Grande Virada, e Quase Famosos.

Elizabethtown é um filme ruim. Ponto. Mas ás vezes a gente gosta de filmes ruins, por que tem bom roteiro, boas atuações ou  nos remetem a situações das nossas vidas, quando rimos etc. Mas eu particularmente não gostei do filme, que conta a história de Drew Baylor (Orlando Bloom), que vê sua vida profissional afundar após o enorme fracasso de um importante projeto o qual ele estava há anos envolvido em uma fábrica de tênis e outros artigos esportivos. Pensa em se matar quando recebe a notícia da morte de seu pai, e de que terá que voltar para sua cidade natal (ELizabethtown do título) e lidar com suas lembranças, sua família, enfim, sua história. Na viagem de ida conhece a aeromoça Claire (Kirsten Dunst)

Quem espera, pelo argumento parecido, encontrar algo como Hora de Voltar, prepare-se, pois este aqui é bem inferior.

É impressionante como as coisas não funcionam no filme. Não se vê apego de Drew a sua historia, nem com o decorrer do filme, muito menos com seu pai, ou pelo menos algum que justifique o final. Nem o romance mostra química, pois a personagem de Kirsten Dunst é antipática e irritante logo no início do filme, e nada acontece para que isso se resolva depois.

No meio desse engodo ainda está Susan Sarandon como a viúva que protagoniza uma das cenas mais ridículas que já vi, a qual num palco, numa cerimônia de homenagem póstuma, faz praticamente um show de calouros, cantando, dançando e falando sobre como sentiu o órgão sexual de um conhecido ao receber condolências. Patético.

O filme pode agradar a várias pessoas, mas particularmente eu só via a horas das luzes se acenderem, pois quando pensamos que o filme acaba, ainda temos que ver um punhado de cenas desnecessárias, para tentar nos emocionar, e claro, mostrar o “happy end”.

 

 

Hoje vou falar sobre o último filme premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro, Mar Adentro, dirigido por Alejandro Amenábar, o mesmo de Os Outros.

O filme nos mostra a história de um tetraplégico espanhol Ramón Sampedro, vivido de forma muito competente por Javier Barden, que após ficar tetraplégico luta incessantemente para ter o direito de morrer.

È uma questão difícil, delicada, que o filme em alguns momentos trata de uma forma bem feita, outras não.

Ramón não se refere a tetraplégicos, não generaliza, ele fala de si mesmo, e o que sente. “Quem está falando de tetraplégicos” diz ele, “Estou falando de mim”. Há pessoas que lutariam para viver, ele não, e ele quer que sua vontade seja respeitada. Só que no direito, há um lado fomentador no fato do Estado permitir algo, ou seja, até que ponto permitir que pessoas matem Ramón (mesmo que seja a vontade dele), seria um incentivo à essa e outras ações. Realmente não é uma questão fácil.

Contudo a grande falha do filme pra mim, é que ele é tendencioso e rasteiro no momento que apresenta os personagens que defendem a eutanásia sempre como personagens “legais” e simpáticos, e os que são contra são antipáticos e ignorantes. Outra coisa ruim é mudança de opinião de alguns personagens do filme, que é forçada, sem nexo.

Apesar da competência de Alejandro Amenábar em alguns momentos do filme (nos momentos de imaginação de Ramón), com essas falhas, para mim, o filme perdeu muito. Destaque mais uma vez para atuação de Javier Bardem. O filme da Espanha esse ano definitivamente era A Má Educação.

Casablanca

Último sábado assisti no cinema Casablanca (Casablanca, EUA, 1942). Considerado um dos maiores clássicos do cinema pude confirmar sua fama, e sentir o significado da frase “o filme envelheceu bem”.

A história se passa no Marrocos durante a Segunda Grande Guerra. Onde muitos tentavam fugir da para a América, e todos freqüentavam o bar de Rick ( Humprey Bogart), inclusive Ilsa ( Ingrid Bergman), antiga paixão de Rick, e seu marido Lazlo (Paul Henreid).

Casablanca até hoje emociona, nos faz rir, nos deixa tensos, com uma história bem conduzida enxuta, com atores bons. Outros filmes retratam romances na segunda guerra, como  Paciente Inglês, mas nunca algum conseguiu ser tanta coisa de forma tão competente. Não há como não rir com inspetor Renault (Claude Rains), não ficar apreensivo à espera do final, e se emocionar com o filme. O personagem de Rains por sinal é marcante, engraçado e irônico na sua vida de oficial corrupto.

               Interessante é ver como algumas não planejadas dão tão certo, pois os atores de Casablanca o consideravam um filme menor em sua carreira, como a protagonista Ingrid Bergman, que estava apressada para filmar Porque Os Sinos Dobram. E, com um roteiro que ficava pronto ás vezes na véspera das filmagens,que irritada em não saber o final, perguntava aos roteiristas: “Por quem eu devo demonstrar mais amor?” e ouvia “Interprete de forma ambígua, quando tivermos um final você vai ser a primeira a saber”.

 

              A expressão tensa e chorosa de Ingrid Bergman (com seu chapéu em uma posição muito legal) ao som de As Times Goes By está imortalizada para o cinema, e causa, mais de sessenta anos depois de sua produção, emoção aos que o assistem, como foi o caso das pessoas presentes no cinema.

 

Guerra Dos Mundos

Enfim pudemos ver a tão comentada refilmagem de Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005), adaptação do livro homônimo de H.G. Wells, estrelada por Tom Cruise.

               O filme retrata inicialmente os conflitos entre dois filhos de pais separados, que vão passar as férias com o pai, que é considerado distante e desleixado. Logo após a chegada deles, acontece o ataque dos alienígenas.

 A primeira metade do filme é de tirar o fôlego. A história é sempre contada da visão da família que está fugindo, e só sabemos o que eles sabem sobre o que está acontecendo. É ótimo apreciar o quanto Spielberg é um bom diretor(quando não apela demasiadamente para o sentimentalismo). A primeira metade do filme é de tirar o fôlego, cenas muito bem dirigidas que conseguem deixar o espectador tenso frente a um  espetáculo nas telas, e nos fazendo refletir por quanto tempo pode durar as conquistas do “mundo civilizado ocidental” quando as coisas apertam, e no que o ser humano pode se transformar, ou se revelar.

               A partir do momento que a família encontra Ogilvy (Tim Robbins), Spielberg patina um pouco, alongado demais a cena de porão, e usando de sustos meio bestas. A partir daí o filme fica mais frio, menos eletrizante.

O elenco está bem, com destaque para a garotinha Dakota Fanning, que interpreta a filha de Tom Cruise. Imaginar que o diretor falar gravando, e uma criança atuar daquela maneira.

O tão comentado final que todos falam mal em minha opinião não tem nada de idiota. É perfeitamente plausível e representativo, mostrando as consequências da arrogância.

Muito bom ir ai cinema e poder se divertir com filmes assim, de qualidade, principalmente se comparados a bombas como Impacto Profundo e Independence Day, que tratam do mesmo tema e são muito inferiores. 

 

Crise

              O Brasil está passando há meses por uma crise política, todos sabemos, mas mesmo não estando a par de tudo o que acontece(coisa quase impossível devido a quantidade enorme de novidades todos os dias), nós, brasileiros, podemos concluir o que diante disso tudo?

Uma das coisas mais importantes que contribuem muito para o nosso amadurecimento político e democrático é perceber que na política não há maniqueísmo, não há donos da verdade, vilão e bandido. Isso é coisa de filme mal escrito. Se na vida não é assim, por que logo na política haveria de ser?

Penso a fundamental importância da conjuntura atual Se Lula não tivesse ganho as eleições, penso até quando estaríamos sempre à mercê de acreditar em discursos messiânicos e salvadores, de jogar pedras e mais pedras. Já que hoje, os principais donos desse discurso nos mostraram na prática que não é bem assim.

Uma pena que nossos políticos não saibam o que é admitir erros, e preferem se valer da falta de informação de muitos, e dizer muita coisa, entretanto fazer sistematicamente diferente, como a famigerada vontade de "cortar na própria carne"

Mas como disse, esse governo está nos dando uma oportunidade única de amadurecermos. Pois como vemos, a respeitada trajetória de Lula, em uma escalada na pirâmide social, não nos impede de perceber que em vários momentos que ele se rendeu ao cinismo da imensa maioria de sua classe: os políticos. E claro, também não nos ceguemos aos pontos positivos de seu governo.

Se nos esforçamos para encarar a política com menos paixão e mais razão, baseados em informação,  já será um grande passo.

Um Estranho no Ninho

Hoje vou comentar sobre um clássico da década de setenta: Um Estranho No Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975), um dos filmes mais premiados de sua década, e um dos poucos que conseguiu o feito de ganhar nas cinco principais categorias do Oscar: Melhor filme,melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor ator e melhor atriz.

É um filme maravilhoso, muito bem dirigido por Milos Forman, que se propõe a tratar de diversas temas e faz com competência. MacMurphy (Jack Nicholson), se finge de louco para fugir do trabalho na prisão e é enviado a um sanatório. A partir daí se desenrolam fatos e surgem relações que ele não poderia imaginar. De início era apenas uma forma de fugir do trabalho, mas MacMurphy percebe que as coisas não seriam tão fáceis assim, e depois só pensa em fugir do lugar. Contudo, desenvolve uma relação de ódio contra opressão, representada pela enfermeira Ratched (Louise Fletcher), e de amizade por seus companheiros. Assim faz de tudo para fugir da irritante rotina imposta por Ratched.

A personagem Louise Fletcher não se encaixou na caricatura do mal, ela age como age por convicção mesmo, representando não a maldade, mas uma forma de pensamento.

Jack Nicholson arrasa, é um malandro que nos faz rir em alguns momentos do filme, e depois levanta questões sobre liberdade, sobre o que é ser louco, o que é estar em um sanatório.

O elenco masculino de coadjuvantes merece destaque, todos muito bons, Brad Dourif, William Redfield, Danny de Vito.

Depois o filme nos emociona, pois MacMurphy escolhe pelos seus amigos em muitos momentos, e pelo inesperado final(que trata de mais um tema espinhoso) que não merece ser contado, e pela maravilhosa e lírica cena final, que com sua música e tons de azul se torna inesquecível.

Enfim, um filme que merece ser visto revisto e que se pense sobre ele.

A Malvada

No último fim de semana, incentivado pelo fato de ser o filme com o maior número de  indicações ao Oscar junto com Titanic (14 indicações), vi o clássico de Joseph L. Mankiewicz, A Malvada ( All About Eve, 1951), em DVD, entre os últimos lançamentos da Fox de grandes clássicos, alguns, como este, antes quase inacessíveis, pois não estavam disponíveis em VHS.

    Céus, um filme excelente, repleto de grandes atuações. Filme com duas indicações a melhor atriz  (Bette Davis e Anne Baxter) duas para melhor atriz coadjuvante (Celeste Holm e Thelma Ritter) e uma de ator coadjuvante para George Sanders, o único ganhador, já dá para ter uma idéia.

    O filme fala sobre os bastidores do teatro e suas premiações e nos faz pensar o que pode estar por trás quando algum artista é premiado, ou quando lemos alguma crítica sobre arte. Começa com Eve Harrington recebendo o prêmio máximo do teatro, alguns personagens não a aplaudem, e a partir daí há uma retrospectiva para nos mostrar tudo o que aconteceu até aquele prêmio. E nos faz entender a razão de Margo (Bette Davis), grande estrela consagrada do teatro, e Karen (Thelma Ritter),mulher de um famoso roteirista, ficarem estáticas na premiação, entre os calorosos aplausos.

 

    O grande vencedor do Oscar de 1951 tem um roteiro com diálogos belíssimos, fortes, e uma direção de atores primorosa, em destaque para a maravilhosa Bette Davis, compondo genialmente sua personagem, que não cai no lugar comum de ser a heroína perfeita, sem defeitos, pelo contrário, é tão gente quanto qualquer um de nós. E Anne Baxter, que mesmo com uma personagem menos rica segura muito bem sua interpretação, com momentos marcantes como o do encontro entre ela e Karen no banheiro de um restaurante, quando sua máscara rapidamente cai.

 

    A ambição desenfreada mostrada no meio artístico, mas podendo ser aplicada de forma universal, em que sorrisos, pedidos, amizades e até casamentos são apenas degraus para atingir um objetivo nos faz até temer as figuras eternamente simpáticas, e nos faz refletir o quanto o ser humano é capaz de fazer para alcançar seus objetivos quando Karen, sendo chantageada, pergunta a Eve: “Você faria tanto por um papel?” e ela responde “Por um papel como esse, faço muito mais”.

 

    Filme profundo, cheio de qualidades, enfim, um clássico. Nota 10.

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