Crise

              O Brasil está passando há meses por uma crise política, todos sabemos, mas mesmo não estando a par de tudo o que acontece(coisa quase impossível devido a quantidade enorme de novidades todos os dias), nós, brasileiros, podemos concluir o que diante disso tudo?

Uma das coisas mais importantes que contribuem muito para o nosso amadurecimento político e democrático é perceber que na política não há maniqueísmo, não há donos da verdade, vilão e bandido. Isso é coisa de filme mal escrito. Se na vida não é assim, por que logo na política haveria de ser?

Penso a fundamental importância da conjuntura atual Se Lula não tivesse ganho as eleições, penso até quando estaríamos sempre à mercê de acreditar em discursos messiânicos e salvadores, de jogar pedras e mais pedras. Já que hoje, os principais donos desse discurso nos mostraram na prática que não é bem assim.

Uma pena que nossos políticos não saibam o que é admitir erros, e preferem se valer da falta de informação de muitos, e dizer muita coisa, entretanto fazer sistematicamente diferente, como a famigerada vontade de "cortar na própria carne"

Mas como disse, esse governo está nos dando uma oportunidade única de amadurecermos. Pois como vemos, a respeitada trajetória de Lula, em uma escalada na pirâmide social, não nos impede de perceber que em vários momentos que ele se rendeu ao cinismo da imensa maioria de sua classe: os políticos. E claro, também não nos ceguemos aos pontos positivos de seu governo.

Se nos esforçamos para encarar a política com menos paixão e mais razão, baseados em informação,  já será um grande passo.

Um Estranho no Ninho

Hoje vou comentar sobre um clássico da década de setenta: Um Estranho No Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975), um dos filmes mais premiados de sua década, e um dos poucos que conseguiu o feito de ganhar nas cinco principais categorias do Oscar: Melhor filme,melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor ator e melhor atriz.

É um filme maravilhoso, muito bem dirigido por Milos Forman, que se propõe a tratar de diversas temas e faz com competência. MacMurphy (Jack Nicholson), se finge de louco para fugir do trabalho na prisão e é enviado a um sanatório. A partir daí se desenrolam fatos e surgem relações que ele não poderia imaginar. De início era apenas uma forma de fugir do trabalho, mas MacMurphy percebe que as coisas não seriam tão fáceis assim, e depois só pensa em fugir do lugar. Contudo, desenvolve uma relação de ódio contra opressão, representada pela enfermeira Ratched (Louise Fletcher), e de amizade por seus companheiros. Assim faz de tudo para fugir da irritante rotina imposta por Ratched.

A personagem Louise Fletcher não se encaixou na caricatura do mal, ela age como age por convicção mesmo, representando não a maldade, mas uma forma de pensamento.

Jack Nicholson arrasa, é um malandro que nos faz rir em alguns momentos do filme, e depois levanta questões sobre liberdade, sobre o que é ser louco, o que é estar em um sanatório.

O elenco masculino de coadjuvantes merece destaque, todos muito bons, Brad Dourif, William Redfield, Danny de Vito.

Depois o filme nos emociona, pois MacMurphy escolhe pelos seus amigos em muitos momentos, e pelo inesperado final(que trata de mais um tema espinhoso) que não merece ser contado, e pela maravilhosa e lírica cena final, que com sua música e tons de azul se torna inesquecível.

Enfim, um filme que merece ser visto revisto e que se pense sobre ele.

A Malvada

No último fim de semana, incentivado pelo fato de ser o filme com o maior número de  indicações ao Oscar junto com Titanic (14 indicações), vi o clássico de Joseph L. Mankiewicz, A Malvada ( All About Eve, 1951), em DVD, entre os últimos lançamentos da Fox de grandes clássicos, alguns, como este, antes quase inacessíveis, pois não estavam disponíveis em VHS.

    Céus, um filme excelente, repleto de grandes atuações. Filme com duas indicações a melhor atriz  (Bette Davis e Anne Baxter) duas para melhor atriz coadjuvante (Celeste Holm e Thelma Ritter) e uma de ator coadjuvante para George Sanders, o único ganhador, já dá para ter uma idéia.

    O filme fala sobre os bastidores do teatro e suas premiações e nos faz pensar o que pode estar por trás quando algum artista é premiado, ou quando lemos alguma crítica sobre arte. Começa com Eve Harrington recebendo o prêmio máximo do teatro, alguns personagens não a aplaudem, e a partir daí há uma retrospectiva para nos mostrar tudo o que aconteceu até aquele prêmio. E nos faz entender a razão de Margo (Bette Davis), grande estrela consagrada do teatro, e Karen (Thelma Ritter),mulher de um famoso roteirista, ficarem estáticas na premiação, entre os calorosos aplausos.

 

    O grande vencedor do Oscar de 1951 tem um roteiro com diálogos belíssimos, fortes, e uma direção de atores primorosa, em destaque para a maravilhosa Bette Davis, compondo genialmente sua personagem, que não cai no lugar comum de ser a heroína perfeita, sem defeitos, pelo contrário, é tão gente quanto qualquer um de nós. E Anne Baxter, que mesmo com uma personagem menos rica segura muito bem sua interpretação, com momentos marcantes como o do encontro entre ela e Karen no banheiro de um restaurante, quando sua máscara rapidamente cai.

 

    A ambição desenfreada mostrada no meio artístico, mas podendo ser aplicada de forma universal, em que sorrisos, pedidos, amizades e até casamentos são apenas degraus para atingir um objetivo nos faz até temer as figuras eternamente simpáticas, e nos faz refletir o quanto o ser humano é capaz de fazer para alcançar seus objetivos quando Karen, sendo chantageada, pergunta a Eve: “Você faria tanto por um papel?” e ela responde “Por um papel como esse, faço muito mais”.

 

    Filme profundo, cheio de qualidades, enfim, um clássico. Nota 10.

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